Cilada política

Cilada política

 

 

Tenho refletido muito nos últimos meses acerca dos problemas diuturnos surgidos no governo federal, procurando entender as razões de tanta falácia e pouco trabalho por parte daqueles que ocupam o mais alto escalão governamental deste país. Desenvolvo ao longo deste texto alguns motivos para o estado de sobressaltos verificados, cuja análise segue abaixo.

O primeiro motivo que me vem à mente seria a falta de experiência para o gerenciamento de um país tão complicado como o nosso. Todavia, é sabido que tais “administradores” já vinham governando prefeituras municipais e Estados pelo Brasil. Então, experiência, mesmo que desastrosa, não lhes faltou.

O segundo motivo seria a completa ausência de bom senso para a lida com situações de importância para todo o povo brasileiro. Contudo, anteriormente à tomada do poder, aqueles sujeitos desenvolviam teses providas de elementos lógicos e concernentes às necessidades mais elementares da grande massa populacional. Assim, ainda que faltasse implementação prática à nível nacional, havia algumas teses.

O terceiro motivo, por sua vez, seria a falta de competência para dirigir a máquina do governo federal. Essa razão, ao contrário das outras, que pareciam ter algum supedâneo teórico, não subsiste, haja vista os constantes equívocos aferidos na gestão dos recursos públicos, os quais, apesar de terem sofrido aumento de arrecadação, são cada vez mais equivocadamente destinados. Um exemplo evidente pode ser constatado nas “políticas assistencialistas” de transferência de rendas, que servem exclusivamente para provocar nos esfomeados brasileiros o sentimento de dependência para com o Executivo Federal, sem resolver o problema de miserabilidade crescente de nosso povo, auxiliando apenas de forma eleitoral os atuais donos do poder. Neste momento cabe um parêntese no sentido de ressaltar minha posição favorável a políticas de transferência de renda, mas não do modo como vêm ocorrendo, e sim de forma a possibilitar a emancipação do pobre, ou seja, ampliando o acesso efetivo à educação, a empregos e à saúde. Outro exemplo é o indevido incremento progressivo dos tributos sobre as classes trabalhadoras e, sobretudo, produtivas, engessando ainda mais o desenvolvimento do país. Lamentavelmente, a competência é uma qualidade escassa na alta cúpula do governo federal hodierno.

É possível mencionar um quarto e derradeiro motivo, que seria a inexistência de probidade, qualidade esta tão ausente e quase nunca exaltada nos altos escalões de Brasília. Efetivamente, sinto que esta razão é a mais patente, justamente diante das atrocidades cometidas contra o dinheiro público e, por conseqüência, contra a população brasileira. Não entendo o porquê desta gente, que defendeu durante mais de vinte anos, com unhas e dentes, a honestidade pública, atuar de maneira totalmente conflitante àquilo que pregava. Seria a ânsia pelo dinheiro fácil e pelo poder desregrado? Seria a vontade ditatorial de perpetuação no poder? Seria a necessidade de saldar “dívidas” da campanha eleitoral? Parece-me um pouco de tudo. E o pior sentimento é saber que tudo isso acontece sem a que massa desasistida e miserável entenda ou mesmo tome conhecimento de tais fatos gravíssimos, o que pode significar a continuidade destes indivíduos, por mais alguns anos, nos confortos do poder desmedido.

Realmente, caro leitor, caímos numa enorme cilada. Destarte, a única saída é fazer com que, democraticamente, aqueles senhores sejam convidados, pela maioria, a se retirarem do poder, para nunca mais retornarem.

Concluindo, posso asseverar que, depois dos fatos ocorridos no governo federal, restou arraigado no cerne do inconsciente coletivo nacional a seguinte e melancólica idéia: é difícil, para quem age com máxima honestidade em quaisquer situações, num Brasil onde impera a desonestidade e a incompetência políticas, não se sentir um mentecapto, ou seja, uma pessoa fora do seu tempo. Esse é o “legado” que nos deixam aqueles indivíduos, para que não se diga que nada “construíram”. Daqui a diante, cuidado com as ciladas políticas!

 

(Texto publicado em 2006 na seção Ensaio do jornal Diário dos Campos, de Ponta Grossa-PR; nessa época o autor era advogado e exercia o cargo de Assessor Jurídico no Município de Ponta Grossa-PR.)

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